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Como escolher ponto comercial: critérios, custos e o que conferir

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Ferramenta deste guia: Onde abrir meu negócio

Para escolher um ponto comercial, visite mais de um endereço, dê a cada um uma nota de 1 a 5 em critérios como fluxo de pessoas, visibilidade, acesso, concorrência, público e segurança, e some as notas com pesos que reflitam o seu tipo de negócio. Depois confira os números: o custo de ocupação em relação ao faturamento esperado, o resultado do mês, o tempo para recuperar o investimento e a folga até o ponto de equilíbrio. A melhor escolha é a de maior nota entre os pontos que cabem nos números, e o contrato precisa proteger o que você vai investir.

O que é avaliar um ponto comercial

O ponto comercial é o endereço onde o negócio atende. Ele decide quem passa na frente, quem consegue chegar e quanto do faturamento vai embora em aluguel. Mudar depois custa caro: luvas (o valor pago para ficar com o ponto), reforma e a clientela que fica para trás.

O jeito mais usado para comparar endereços é a ponderação de fatores, descrita nos livros de administração da produção, como o de Heizer, Render e Munson: escolhem-se os fatores que importam, dá-se um peso a cada um, dá-se uma nota a cada local e soma-se. A nota organiza a opinião; os números conferem se o ponto se paga. Um ponto bonito que não cabe no faturamento não é escolha.

Os seis critérios

Critério O que olhar Nota 1 Nota 5
Fluxo de pessoas quem passa na frente, nos horários em que você abre quase ninguém passa movimento intenso o dia todo
Visibilidade a fachada é vista de longe? escondido, fundo de galeria ou andar de cima esquina ou fachada larga, vista dos dois sentidos
Acesso e estacionamento chegar a pé, de ônibus e de carro; parar; carga e descarga; rampa difícil chegar e sem onde parar fácil de todo jeito, com estacionamento
Concorrência perto quem disputa o mesmo cliente ali concorrente forte colado ninguém disputa o mesmo cliente, ou um polo do ramo que atrai gente
Público quem mora, trabalha ou passa ali é o seu cliente? o público não é o seu cliente o seu cliente está ali, em quantidade
Segurança iluminação, movimento à noite, furtos rua perigosa, furtos frequentes muito segura, com movimento o dia todo

O peso de cada critério muda com o negócio. Uma loja de roupas depende de quem passa e vê a vitrine; um salão com hora marcada depende mais de o cliente chegar e estacionar do que de ser visto. Uma sugestão de pesos, que somam 20:

Tipo Fluxo Visibilidade Acesso Concorrência Público Segurança
Loja 5 4 3 3 3 2
Alimentação 5 3 4 2 4 2
Serviço com hora marcada 2 2 5 3 5 3
Oficina ou depósito 2 3 5 3 3 4

São um ponto de partida, não uma norma: ajuste ao que pesa no seu caso.

Como escolher, passo a passo

  1. Visite cada ponto em dias e horários diferentes. O movimento de uma terça de manhã não é o de um sábado à tarde. Conte quem passa em alguns intervalos fixos, nos horários em que você vai abrir.
  2. Dê a nota de 1 a 5 em cada critério, pela descrição de cada nível, e não pela impressão geral.
  3. Calcule a nota ponderada: soma de (nota × peso) ÷ soma dos pesos.
  4. Calcule o custo de ocupação: aluguel + condomínio + IPTU + outros custos do ponto, por mês. Em percentual: ocupação ÷ faturamento esperado × 100.
  5. Calcule o resultado do mês: faturamento esperado × margem de contribuição − ocupação − outros custos fixos.
  6. Calcule o payback: (luvas + reforma) ÷ resultado do mês, em meses, arredondado para cima. Compare com o prazo do contrato.
  7. Calcule o ponto de equilíbrio e a folga: equilíbrio = (ocupação + outros custos fixos) ÷ margem de contribuição; folga = (faturamento − equilíbrio) ÷ faturamento. A folga é quanto o faturamento pode cair antes de o ponto deixar de pagar as contas.
  8. Escolha a maior nota entre os pontos que cabem nos números: ocupação até o seu limite, resultado positivo e payback dentro do contrato.

Não há percentual oficial de quanto o aluguel pode pesar. Um limite de 10% do faturamento para a ocupação inteira é um ponto de partida conservador. Para comparar, o Banco de Dados Imobiliário da ABF, de 2022, mediu custo médio de ocupação de 14% nas franquias em shopping.

Exemplo: a segunda loja de uma marca de moda

Uma marca de moda feminina procura o ponto da segunda loja em Campinas. A margem de contribuição é de 42%, os outros custos fixos somam R$ 16.000 por mês e o limite de ocupação é de 10%. Com os pesos de Loja, três pontos visitados:

Ponto Notas (fluxo, visibilidade, acesso, concorrência, público, segurança) Nota ponderada
A: shopping de bairro, térreo 5, 4, 5, 2, 4, 5 84 ÷ 20 = 4,2
B: rua comercial no Cambuí 4, 4, 3, 4, 5, 3 78 ÷ 20 = 3,9
C: galeria no Centro 3, 2, 3, 3, 2, 2 51 ÷ 20 = 2,6
A B C
Ocupação por mês R$ 12.470 R$ 6.920 R$ 4.030
Faturamento esperado R$ 80.000 R$ 72.000 R$ 42.000
Ocupação em % 15,6% 9,6% 9,6%
Luvas e reforma R$ 135.000 R$ 65.000 R$ 18.000
Resultado do mês R$ 5.130 R$ 7.320 −R$ 2.390
Payback 27 meses 9 meses não se paga
Ponto de equilíbrio R$ 67.786 R$ 54.571 R$ 47.690
Folga 15,3% 24,2% −13,5%

O ponto A tem a maior nota, mas a ocupação de 15,6% passa do limite de 10% e até da média de 14% da ABF; caberia com faturamento de R$ 124.700 ou ocupação de até R$ 8.000. O ponto C não paga as contas: fatura abaixo do equilíbrio, e o contrato é de 3 anos. A melhor escolha é B, a segunda nota e o único que cabe nos números: o investimento de R$ 65.000 se paga em 9 meses, dentro do contrato de 5 anos, com folga de 24,2%.

A conta muda com as premissas. Com o limite em 16%, A passa a caber e vira a melhor escolha, mas com folga pequena e 27 meses de payback.

O contrato e a renovação

A Lei do Inquilinato (Lei 8.245/1991, art. 51) dá ao inquilino comercial o direito de renovar o aluguel por igual prazo, por ação renovatória, quando três condições se somam: o contrato é escrito e com prazo determinado; ele, ou a soma de contratos escritos sem intervalo, tem pelo menos 5 anos; e o inquilino explora o mesmo ramo há pelo menos 3 anos seguidos. A ação precisa ser proposta entre um ano e seis meses antes do fim do contrato em vigor.

Contrato de menos de 5 anos não garante a renovação. É esse direito que protege as luvas e a reforma: sem ele, ficar no ponto depois do prazo depende de acordo com o dono do imóvel. Leve o contrato a um advogado antes de assinar.

O que conferir antes de assinar

  • Prefeitura: se a atividade é permitida naquele endereço (a consulta prévia de local) e o que pede o alvará.
  • Bombeiros e acessibilidade: as exigências para o tipo de negócio e o tamanho do imóvel.
  • O imóvel: se está regular, o estado da parte elétrica e hidráulica e o que a reforma vai exigir.
  • O contrato: prazo, reajuste, quem paga o quê, luvas e a possibilidade de renovação.
  • O movimento: uma última visita no horário de pico e outra no horário fraco.

Erros comuns

  • Escolher pela nota sem conferir os números. O ponto mais bonito pode não caber no faturamento.
  • Estimar o faturamento com otimismo. Folga abaixo de uns 20% deixa pouco espaço para errar a estimativa.
  • Visitar uma vez só. O movimento muda com o dia, a hora e a época do ano.
  • Ignorar o prazo do contrato. Payback de 27 meses num contrato de 24 não se paga a tempo.
  • Contar só o aluguel. Condomínio, IPTU, fundo de promoção e outros custos do ponto entram na ocupação.

Como o comparador ajuda

O Comparador de pontos comerciais põe até 4 pontos lado a lado. Você dá as notas de 1 a 5 nos seis critérios, com a descrição de cada nível e os pesos prontos para o seu tipo de negócio, ou os seus, e informa os custos e o faturamento esperado. Ele monta o ranking, calcula o custo de ocupação, o resultado, o payback, o equilíbrio e a folga, e indica a melhor escolha entre os pontos que cabem nos números, dizendo o que faria os outros caberem. Para mudar de ponto, o atual entra na conta. Avisa o contrato de menos de 5 anos e lista o que conferir antes de assinar. A comparação sai em PDF.

Se ainda falta decidir onde o negócio precisa aparecer, além do endereço, veja o Planejamento de praça e presença. Para os números do negócio inteiro, o Plano de negócio.

Perguntas frequentes

Como avaliar um ponto comercial?

Dê nota de 1 a 5 em critérios como fluxo de pessoas, visibilidade, acesso, concorrência, público e segurança, com pesos que reflitam o seu negócio, e some. Depois confira se o ponto cabe nos números: custo de ocupação, resultado do mês, payback e folga até o ponto de equilíbrio.

Quanto do faturamento pode ir para o aluguel?

Não há percentual oficial. Um limite de 10% do faturamento para a ocupação inteira (aluguel, condomínio, IPTU e outros custos do ponto) é um ponto de partida conservador. Em 2022, a ABF mediu custo médio de ocupação de 14% nas franquias em shopping.

Ponto de rua ou shopping?

Depende do peso que cada critério tem no seu negócio e de o ponto caber nos números: compare os dois pela mesma conta. No shopping, entram custos que a rua costuma não ter; no levantamento da ABF de 2022, 75% dos shoppings cobravam luvas e 72% cobravam aluguel percentual.

O que é ação renovatória?

É a ação que garante ao inquilino comercial a renovação do aluguel, pela Lei 8.245/1991, art. 51. Exige contrato escrito com prazo determinado de pelo menos 5 anos (ou a soma de contratos sem intervalo) e 3 anos no mesmo ramo. Deve ser proposta entre um ano e seis meses antes do fim do contrato.

Como medir o movimento de um ponto?

Vá em dias e horários diferentes, inclusive no horário em que você vai abrir, e conte quem passa na frente em intervalos fixos. Olhe também quem passa: se é o seu cliente, pela idade, pelo jeito e pelo que compra nos vizinhos.

O que entra no custo de ocupação?

Tudo o que o ponto custa por mês: aluguel, condomínio, IPTU e outros custos ligados ao imóvel, como fundo de promoção no shopping. Luvas e reforma não entram na ocupação; são investimento, e se medem pelo payback.

Fontes

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