Cliente ideal e persona: o que são, a diferença e como definir
Por Enzo Zampronio · atualizado em
Ferramenta deste guia: Cliente ideal
Cliente ideal é o cliente que tem o problema que o seu negócio resolve, pode pagar o seu preço, fica satisfeito, volta, indica e dá lucro. A persona é um personagem fictício, montado a partir de clientes reais, que dá nome, rotina, dores, desejos e objeções a esse cliente ideal, para que o atendimento e a divulgação falem com uma pessoa e não com uma média. Para definir os dois, comece pelo melhor cliente que você já tem, e não pela imaginação.
O que é cliente ideal, persona e público-alvo
Os três termos aparecem juntos e se confundem, mas respondem a perguntas diferentes.
| O que é | Exemplo | Para que serve | |
|---|---|---|---|
| Público-alvo | o grupo para quem o negócio vende | mães e pais de alunos do 6º ao 9º ano na zona sul de Sorocaba | decidir onde aparecer |
| Cliente ideal | a parte desse grupo que compra, volta, indica e dá lucro | quem paga o pacote mensal o ano todo e indica no grupo da escola | escolher em quem pôr o esforço de venda |
| Persona | um personagem fictício que representa o cliente ideal | Patrícia, a mãe que trabalha fora | escrever a mensagem, treinar o atendimento, alinhar a equipe |
O público-alvo é um recorte com dados: idade, região, renda. A persona acrescenta o que os dados não mostram: o que a pessoa pensa, o que a incomoda, o que ela quer, o que a faz desistir e onde ela se informa. O Sebrae lembra que a persona nasce de dados de clientes reais, e não de um palpite.
A persona como ferramenta de trabalho ficou conhecida com o designer de software Alan Cooper, que a apresentou no livro The Inmates Are Running the Asylum (1999) para projetar programas pensando numa pessoa concreta. O marketing adotou a ideia depois. Em vendas para empresas, o cliente ideal costuma aparecer com a sigla ICP, do inglês ideal customer profile: o perfil da empresa que mais aproveita a oferta, com o segmento, o porte, a região e quem decide a compra.
Os sinais do cliente ideal
O cliente que mais compra nem sempre é o ideal. O que pechincha em toda compra e pede retrabalho pode deixar menos lucro que um cliente menor e fiel. O guia Máquina de vendas, da Endeavor com o Sebrae, descreve o cliente ideal como quem tem sucesso com o produto, vira divulgador e é conquistado com lucro. Daí saem sete sinais para conferir:
- tem o problema e sabe disso;
- quer resolver e já procura uma solução;
- pode pagar o seu preço;
- decide a compra, ou você fala com quem decide;
- fica satisfeito e volta;
- indica você;
- dá lucro: paga sem pechinchar e dá pouco retrabalho.
Com menos de quatro sinais, vale perguntar se esse é mesmo o grupo certo para o seu esforço.
Como definir o cliente ideal e a persona
- Escolha a base. Parta do melhor cliente de hoje, ou de um pequeno grupo deles. Quem está começando parte do cliente que quer atrair e revisa quando chegarem os primeiros.
- Descreva quem é. Para quem vende a pessoas: faixa de idade, ocupação, onde vive, renda da família, família e rotina. Para quem vende a empresas: segmento, porte, região, quem decide e quem usa.
- Calcule quanto ele vale. Valor por ano = ticket médio × compras por ano. Multiplicado pelo número de clientes assim, dá o peso desse grupo na receita.
- Liste as dores e os desejos com as palavras dele. A dor como ele diria ("Não tenho tempo de…"); o desejo completando "ele quer…". Dê um peso de 1 a 5 a cada um.
- Liste as objeções e a sua resposta. Preço, momento, confiança, necessidade, risco, concorrente, quem decide: o que ele diz para não comprar e o que você responde.
- Preencha o mapa de empatia. O que ele pensa, sente, vê, ouve, fala e faz, uma ideia por linha. O mapa é da consultoria XPLANE, de Dave Gray.
- Marque onde ele se informa e o que decide a compra. Os canais, o momento em que ele procura e até três critérios, como preço, confiança, resultado ou praticidade.
- Confira com cinco clientes de verdade. Leia as dores e as objeções para eles. Se não se reconhecem, quem está errada é a persona.
Exemplo: um reforço escolar em Sorocaba
O Passo a Passo Reforço Escolar dá aulas em grupos de até 4 alunos, do 6º ao 9º ano. A persona saiu do melhor cliente de hoje: Patrícia, a mãe que trabalha fora, de 35 a 44 anos, analista administrativa em horário comercial, com renda familiar de R$ 6 mil a R$ 10 mil. Ela sai às 7h30 e volta às 18h30; à tarde, o filho mais velho fica com a avó.
- Quanto vale: ela compra o pacote mensal de 8 aulas, de R$ 440,00, 10 vezes por ano (de fevereiro a novembro). São R$ 4.400,00 por ano. Com 28 clientes assim, R$ 123.200,00 por ano.
- Sinais: 6 de 7. Falta "dá lucro", o que pede uma conferência do preço e do custo de cada turma.
- Dores, pelo peso: "Meu filho trava na prova de matemática e a nota não sobe" (5); "Chego tarde do trabalho e não tenho tempo nem paciência para a lição" (5); "Só fico sabendo da nota ruim no fim do bimestre" (4); "Já paguei aula particular e não adiantou nada" (3).
- Desejos, pelo peso: ver o filho tirar nota boa sem briga em casa (5); ter alguém de confiança acompanhando a lição (4); saber como ele está indo antes do boletim (4).
- Objeções: "Está caro para o orçamento do mês" (5), respondida com o preço por aula e a primeira aula gratuita; "E se a nota não melhorar?" (4), respondida com o relatório mensal e o ajuste do plano junto com a mãe.
- Mapa de empatia, um trecho: ela pensa "Será que estou deixando o meu filho para trás?"; sente culpa por não ter tempo de ajudar; ouve indicações no grupo de mães da escola; procura "reforço escolar perto de mim" no Google e compara preço e horário pelo WhatsApp.
- Onde e quando: no grupo de mães da escola, na busca do Google e na porta da escola na saída da tarde, logo depois da primeira nota baixa do bimestre. Ela decide e paga; o marido opina no preço, e o filho precisa gostar da aula experimental.
Com isso, a mensagem deixa de ser genérica. O anúncio usa a dor e o desejo de maior peso: "Você também diz 'Meu filho trava na prova de matemática e a nota não sobe'? Aulas de reforço em grupos de até 4 alunos, do 6º ao 9º ano, para você ver o filho tirar nota boa sem briga em casa."
Erros comuns
- Persona inventada. Um personagem bem escrito, sem base em clientes reais, leva a mensagem para o lugar errado.
- Só dados de cadastro. Idade e renda dizem quem é o cliente, não por que ele compra. Sem dores, desejos e objeções, a persona é o público-alvo com um nome.
- Personas demais. O pequeno negócio costuma ganhar mais com uma persona bem feita do que com cinco rasas. Para um segundo público, uma segunda persona.
- Dor escrita como desejo. "Quero pagar menos" é um desejo. A dor é o que incomoda hoje: "A conta do mês não fecha".
- Nome e dados de um cliente de verdade. A persona é um personagem: use um nome fictício e nenhum dado pessoal de cliente.
- Nunca revisar. O cliente muda quando o negócio muda. Vale refazer a persona quando a oferta, o preço ou o público mudarem.
Como a ferramenta ajuda
A ferramenta Cliente ideal conduz as seis etapas do método, com sugestões prontas para quem vende a pessoas ou a empresas. Ela calcula o valor de cada cliente por ano, ordena as dores, os desejos e as objeções pelo peso, confere os sete sinais e avisa o que falta em cada etapa. Também monta as mensagens-modelo (o anúncio, a primeira conversa e a apresentação) com as suas palavras, e o roteiro de respostas às objeções. A persona sai num PDF de 4 folhas: a ficha, o mapa de empatia, como falar com ela e onde encontrá-la.
Com a persona pronta, o passo seguinte pode ser o caminho que ela faz até comprar, na Jornada do cliente, ou a frase que diz por que ela deveria escolher você, na Proposta de valor.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre persona e público-alvo?
O público-alvo é o grupo para quem o negócio vende, descrito por dados como idade, região e renda. A persona é um personagem fictício que representa o cliente ideal desse grupo, com nome, rotina, dores, desejos e objeções. O público-alvo ajuda a decidir onde aparecer; a persona, o que dizer.
O que é ICP?
ICP é a sigla de ideal customer profile, o perfil do cliente ideal, um termo comum em vendas para empresas. Ele descreve a empresa que mais aproveita a oferta: o segmento, o porte, a região e quem decide a compra. A persona, nesse caso, é a pessoa dentro da empresa que decide ou que usa.
Quantas personas um pequeno negócio precisa ter?
Uma, para começar: a do melhor cliente de hoje. Se o negócio atende dois públicos com dores diferentes, como famílias e escolas, faça uma persona para cada um. Mais que isso costuma espalhar o esforço.
Como definir o cliente ideal se o negócio está começando?
Parta do cliente que você quer atrair e converse com cinco pessoas desse grupo antes de fechar as dores e as objeções. Quando os primeiros clientes chegarem, compare o perfil com quem de fato comprou, voltou e indicou, e ajuste.
O que é o mapa de empatia?
É um quadro criado na consultoria XPLANE, de Dave Gray, para se pôr no lugar do cliente: o que ele pensa, sente, vê, ouve, fala e faz, além das dores e dos ganhos. Preenchido a partir de conversas com clientes, ele mostra o que pesa na decisão de compra.
Fontes
- Endeavor e Sebrae, Máquina de vendas: crie um processo previsível e escalável para crescer: o cliente ideal, o que o perfil responde e a persona como personagem que representa um grupo.
- Sebrae, "Defina a persona e construa uma relação ideal com seu público": público-alvo e persona; a persona sai de dados de clientes reais.
- Alan Cooper, The Inmates Are Running the Asylum (Sams, 1999): a persona como ferramenta de projeto.
- Dave Gray (XPLANE), Empathy Map Canvas (2017): os quadrantes do mapa de empatia e as perguntas-guia.
- Dave Gray, Sunni Brown e James Macanufo, Gamestorming (O'Reilly, 2010), e o passo a passo do mapa de empatia.
- Sebrae Respostas, "Como contornar as objeções de vendas": mapear as objeções comuns e preparar a resposta de cada uma.