Procedimento operacional padrão (POP): o que é, modelo e exemplo
Por Enzo Zampronio · atualizado em
Ferramenta deste guia: Gerador de POP
O procedimento operacional padrão, o POP, é a descrição escrita de uma rotina, passo a passo, para que qualquer pessoa treinada a faça do mesmo jeito e com o mesmo resultado. Um bom POP diz o objetivo, quem executa, quando, os materiais, os passos na ordem com os pontos de atenção, o critério de qualidade e o que fazer se der errado. Leva também código, versão, data de revisão e as assinaturas de quem elaborou e de quem aprovou.
O que é um POP
Toda empresa tem rotinas que se repetem: abrir a loja, fechar o caixa, receber mercadoria, limpar a cozinha, atender um cliente novo. Enquanto só uma pessoa sabe fazer, a rotina depende dela. O POP tira o jeito certo da cabeça de quem faz e põe no papel, para treinar quem chega, cobrir férias e conferir se a rotina foi cumprida.
Em inglês, o mesmo documento se chama SOP, de standard operating procedure. Na vigilância sanitária, o nome usado é procedimento operacional padronizado. A Resolução RDC 216/2004, da Anvisa, que trata das boas práticas em serviços de alimentação, define o POP como um "procedimento escrito de forma objetiva que estabelece instruções sequenciais para a realização de operações rotineiras e específicas". A mesma norma pede que ele traga a frequência de execução e o cargo ou a função dos responsáveis, e que seja aprovado, datado e assinado pelo responsável do estabelecimento.
O POP não é um manual inteiro nem uma descrição de cargo. É uma rotina por documento. O que sobra dele no dia a dia é o checklist de execução: uma folha em que cada passo é conferido e rubricado, que mostra que a rotina foi feita.
O que um POP precisa ter: o modelo
| Parte | O que responde |
|---|---|
| Cabeçalho | Empresa, nome da rotina, código, versão, data da versão e próxima revisão |
| Objetivo | Para que a rotina existe e qual resultado ela garante |
| Onde se aplica | Setor, unidade ou situação em que vale |
| Responsáveis | Quem executa, quem aprova e quem elaborou, pelo cargo |
| Quando | A frequência (diária, semanal, mensal ou quando acontece) e o momento |
| Materiais | O que precisa estar à mão antes de começar |
| Passo a passo | Cada passo com a ação, como fazer, o ponto de atenção, quem faz e o tempo |
| Critério de qualidade | Como saber que a rotina deu certo, de forma que se possa conferir |
| Se der errado | O que fazer quando o resultado não sai como deveria |
| Revisão | O que mudou nesta versão e as assinaturas |
Como fazer um POP
- Escolha a rotina. Comece pela que se repete, depende de uma pessoa só ou causa prejuízo quando sai errada.
- Observe quem faz bem. Anote como a rotina é feita de verdade, não como deveria ser. Depois se ajusta.
- Escreva os passos na ordem. Um passo por ação, começando com verbo: "Contar o dinheiro da gaveta". No "como", o detalhe que faz diferença: onde clicar, quanto separar, em que ordem.
- Marque os pontos de atenção. São os passos em que o erro costuma acontecer ou custa caro. Eles aparecem destacados no POP e no treinamento.
- Defina o critério de qualidade. Uma frase que permita dizer sim ou não: "o total bate com o relatório, com diferença de até R$ 5,00".
- Escreva o que fazer se der errado. Quem chamar, o que não fazer sozinho, como registrar.
- Teste com outra pessoa. Alguém que não conhece a rotina segue o POP sem ajuda. Onde ela travar, o texto precisa melhorar.
- Dê código, versão e data de revisão. Um código simples, como POP-CX-001, a versão 1 e um prazo para reler. Cada mudança sobe a versão e diz o que mudou.
Exemplo: o fechamento do caixa de uma padaria
A Padaria Sol escreveu o POP do fechamento do caixa:
- Código: POP-CX-001, versão 2, em uso, revisão a cada 12 meses.
- Objetivo: fechar o caixa do dia sem erro de conta, com o dinheiro guardado e o troco do dia seguinte separado.
- Onde se aplica: caixa da frente da padaria, em todos os dias de funcionamento.
- Quem executa: operador de caixa. Quem aprova: sócia da padaria. Quem elaborou: gerente da loja.
- Quando: diariamente, no fim do expediente, depois do último cliente.
- Materiais: relatório de vendas do dia, calculadora, caderno de caixa, envelope de malote e chave do cofre.
| Passo | Como fazer | Ponto de atenção | Tempo |
|---|---|---|---|
| 1. Tirar o relatório de vendas do dia | No sistema, em Relatórios > Vendas do dia | 3 min | |
| 2. Separar o fundo de troco | R$ 200,00 em notas pequenas e moedas, no envelope do troco | Contar duas vezes: troco errado atrapalha a abertura | 5 min |
| 3. Contar o dinheiro da gaveta | Separar por nota e moeda e anotar cada total no caderno | Nunca contar com cliente no balcão | 10 min |
| 4. Somar cartão e Pix | Comprovantes da maquininha e Pix do extrato do dia | 6 min | |
| 5. Comparar com o relatório | Dinheiro, cartão e Pix somados têm de bater com o relatório | Diferença acima de R$ 20,00: chamar o gerente antes de seguir | 4 min |
| 6. Guardar o dinheiro no cofre | Dinheiro e caderno no envelope de malote, cofre trancado (feito pelo gerente) | 4 min | |
| 7. Desligar e carregar a maquininha | Maquininha na base, carregando para o dia seguinte | 3 min |
- Tempo estimado: 3 + 5 + 10 + 6 + 4 + 4 + 3 = 35 minutos, com 3 pontos de atenção.
- Critério de qualidade: dinheiro, cartão e Pix batem com o relatório do sistema, com diferença de até R$ 5,00, e o troco do dia seguinte tem R$ 200,00.
- Se der errado: diferença acima de R$ 20,00, não refazer a conta sozinho; chamar o gerente, que confere junto e assina o caderno. Sistema fora do ar, anotar as vendas em papel e lançar no dia seguinte.
- O que mudou na versão 2: no passo 5, a diferença acima de R$ 20,00 passou a pedir o gerente antes de seguir.
- Revisão: a versão 2 é de 23/08/2026; a próxima revisão fica para 23/08/2027.
- Checklist: como a rotina é diária, a folha de execução tem 7 colunas, uma por dia da semana, com uma linha por passo, a linha "resultado conferido" e a rubrica de quem fez.
Repare que o POP usa cargos, não nomes. Quando o operador de caixa muda, o documento continua valendo.
Erros comuns
- POP escrito por quem não faz a rotina. Sai bonito e não funciona. Escreva com quem executa.
- Passo vago. "Conferir tudo" não diz o quê nem como. "Somar cartão e Pix e comparar com o relatório" diz.
- Sem critério de qualidade. Sem ele, não dá para saber se a rotina foi bem feita, só se foi feita.
- Nome de pessoa no lugar do cargo. O POP fica velho a cada troca de funcionário.
- Sem versão nem revisão. Duas versões circulando são pior que nenhuma. Toda mudança sobe a versão; toda versão tem data para ser relida.
- POP na gaveta. O documento que ninguém consulta não padroniza nada. O checklist perto do posto de trabalho é o que mantém a rotina viva.
- Tratar o POP genérico como POP sanitário. Em serviços de alimentação, a RDC 216/2004 exige POPs específicos de higienização de instalações, equipamentos e móveis; controle de pragas; higienização do reservatório de água; e higiene e saúde dos manipuladores, cada um com conteúdo mínimo próprio. Clínicas, consultórios e outros serviços de saúde também seguem normas sanitárias próprias. Confira com a vigilância sanitária do seu município o que vale para o seu caso.
Como a ferramenta ajuda
O Gerador de POP organiza a rotina que você escreve. Cada passo vira um cartão, na ordem em que se faz, com como fazer, ponto de atenção, quem faz e tempo. O painel mostra o tempo estimado da rotina, os pontos de atenção, a versão e a próxima revisão, e avisa o que falta: objetivo, quem executa, critério de qualidade, o que fazer se der errado, quem aprova, código, ou revisão vencida. O PDF sai em A4 com o código e a versão e, numa folha à parte, o checklist de execução para imprimir. A ferramenta não escreve os passos por você e não confere normas da Anvisa ou de outro órgão.
Quando a rotina passa por várias pessoas, desenhe antes o Mapa de processos: ele entrega as etapas de cada responsável prontas para virar POP. Para as atribuições de cada função, use a Descrição de cargo e organograma.
Perguntas frequentes
O que é POP numa empresa?
É o procedimento operacional padrão: a descrição escrita de uma rotina, passo a passo, com objetivo, responsáveis, frequência, materiais, critério de qualidade e o que fazer se der errado. Serve para que qualquer pessoa treinada faça a rotina do mesmo jeito e para conferir que ela foi cumprida.
Como se diz procedimento operacional padrão em inglês?
Standard operating procedure, abreviado como SOP. Na vigilância sanitária brasileira, o termo usado é procedimento operacional padronizado, também abreviado como POP.
Qual a diferença entre POP e checklist?
O POP explica como a rotina se faz, com os passos, os detalhes e os cuidados. O checklist é a folha de controle que acompanha o POP: uma linha por passo e uma coluna por execução, marcada e rubricada por quem fez. Um ensina; o outro registra.
De quanto em quanto tempo revisar um POP?
Sempre que a rotina mudar e, mesmo sem mudança, num prazo fixo que a empresa define, como uma vez por ano. Cada revisão sobe a versão e registra o que mudou. Normas sanitárias e de outros setores podem exigir prazos e registros próprios.
Padaria e restaurante precisam de POP?
Sim. Pela RDC 216/2004 da Anvisa, serviços de alimentação devem ter POPs de higienização de instalações, equipamentos e móveis, controle de pragas, higienização do reservatório e higiene e saúde dos manipuladores. Rotinas de gestão, como o fechamento do caixa, não são exigidas por norma, mas se beneficiam do mesmo formato.
Existe modelo de POP pronto para editar?
O modelo é sempre o mesmo esqueleto: cabeçalho com código e versão, objetivo, onde se aplica, responsáveis, quando, materiais, passo a passo, critério de qualidade, o que fazer se der errado e revisão. O conteúdo, porém, tem de ser o da sua rotina, escrito com quem executa.
Fontes
- Anvisa, Resolução RDC 216, de 15 de setembro de 2004: o regulamento de boas práticas para serviços de alimentação, a definição de procedimento operacional padronizado (item 2.18), o conteúdo mínimo e os quatro POPs exigidos (itens 4.11.1 a 4.11.8).