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Capacidade produtiva e gargalo: como calcular, com exemplo

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Ferramenta deste guia: Capacidade e gargalo

A capacidade produtiva de uma etapa é quanto ela consegue entregar por dia: o ritmo de uma pessoa ou máquina, vezes quantas pessoas ou máquinas trabalham nela, vezes as horas de trabalho. O gargalo de produção é a etapa de menor capacidade, e a capacidade do processo inteiro é a dele. Por isso, melhorar qualquer outra etapa não aumenta o que sai no fim do dia; só mexer no gargalo aumenta.

O que é capacidade produtiva e o que é gargalo

Todo processo é uma fila de etapas: cortar, costurar e embalar; ou receber o carro, consertar e lavar. Cada etapa tem um ritmo próprio, e a produção do dia é a da etapa mais lenta: as outras passam parte do dia esperando por ela.

Esse é o centro da teoria das restrições, de Eliyahu Goldratt: todo processo tem uma etapa que limita o resto, o gargalo, e uma hora perdida no gargalo é uma hora perdida no processo inteiro. Uma hora perdida numa etapa com folga, ao contrário, quase não muda o resultado.

Três termos aparecem junto:

  • Capacidade de projeto: o máximo que a etapa entrega na jornada disponível, com os tempos médios. É a conta deste guia.
  • Ocupação (ou utilização): a demanda dividida pela capacidade. Diz quanto do dia a etapa precisa trabalhar para dar conta do que se pede.
  • Capacidade ociosa: a parte do dia em que a etapa fica parada porque não tem trabalho. Uma etapa com ocupação abaixo de 50% está parada mais da metade do dia, e quem trabalha nela pode ajudar o gargalo.

Como calcular a capacidade produtiva

  1. Defina a unidade e as horas. A unidade é o que sai no fim (o pão, a peça, o carro, o cliente). As horas são as de trabalho por dia.
  2. Liste as etapas na ordem em que acontecem.
  3. Meça o ritmo de cada etapa, de uma pessoa ou máquina, do jeito que você souber: - por hora: o número informado; - pelo tempo de cada unidade: 3.600 ÷ o tempo em segundos; - várias de uma vez, como numa fornada: quantas × 3.600 ÷ o tempo da vez em segundos.
  4. Calcule a capacidade da etapa: ritmo × pessoas ou máquinas × horas da etapa. Se a etapa trabalha menos horas que o negócio, use as horas dela.
  5. Ache o gargalo: é a etapa de menor capacidade. A capacidade do processo é a dele.
  6. Compare com a demanda: ocupação = demanda ÷ capacidade da etapa; folga ou falta = capacidade do processo − demanda.
  7. Veja o que falta no gargalo: - pessoas ou máquinas necessárias = demanda ÷ (ritmo × horas da etapa), arredondado para cima; - horas a mais = demanda ÷ (ritmo × pessoas ou máquinas) − horas da etapa.

A ocupação se lê em faixas:

Ocupação Leitura
acima de 100% não dá conta: a fila cresce todo dia
de 85% a 100% no limite: sobra pouco tempo para imprevisto
de 50% a 84% com folga
abaixo de 50% ociosa: parada mais da metade do dia

O corte de 85% é uma referência prática, não uma norma: com a ocupação alta, a fila e o tempo de espera crescem de forma muito mais que proporcional. Numa etapa a 99%, qualquer imprevisto vira atraso.

Exemplo: uma confecção de camisetas

Uma confecção trabalha 8 horas por dia e tem um pedido que pede 300 peças por dia. O corte trabalha só 4 horas.

Etapa Como se mede Pessoas Horas Ritmo Capacidade Ocupação
Corte 40 peças a cada 15 min 1 4 160/h 640 47%, ociosa
Costura 6 min por peça 3 8 10/h 240 125%, não dá conta
Acabamento e arremate 50 s por peça 1 8 72/h 576 52%, com folga
Passadoria 38 por hora 1 8 38/h 304 99%, no limite
Embalagem 40 s por peça 1 8 90/h 720 42%, ociosa
  • Gargalo: a Costura. A capacidade do processo é de 240 peças por dia.
  • Falta: 300 − 240 = 60 peças por dia, 20% do pedido.
  • Horas a mais: 300 ÷ (10 × 3) = 10 horas. São 2 horas a mais por dia para cada uma das 3 costureiras, 6 horas no total.
  • Pessoas necessárias na Costura: 300 ÷ (10 × 8) = 3,75, ou seja, 4 costureiras.
  • Com +1 costureira: a Costura vai a 10 × 4 × 8 = 320 peças. O processo, porém, sobe só para 304, porque o gargalo passa para a Passadoria. O ganho é de 64 peças por dia (+27%), e sobram 4 peças por dia de folga.
  • Ritmo da demanda: 8 × 60 ÷ 300 = 1,6 minuto, ou 1 peça a cada 1 min 36 s. É o ritmo que o processo inteiro precisa manter, o que o pensamento enxuto chama de tempo takt.

A leitura de consultor: contratar a quarta costureira resolve a falta, mas deixa o processo com 4 peças de folga por dia e a Passadoria a quase 99%. Qualquer atraso na passadoria vira atraso no pedido. Ao mesmo tempo, o Corte e a Embalagem passam mais da metade do dia parados; parte desse tempo pode ir para tarefas simples do gargalo, como separar e preparar as peças da costura.

Outro exemplo: a padaria em que o gargalo não é o forno

Uma padaria de pão francês trabalha 8 horas e quer 1.800 pães por dia.

Etapa Como se mede Capacidade Ocupação
Pesagem e mistura 600 pães a cada 25 min 11.520 16%
Divisão e modelagem 1.200 por hora 9.600 19%
Fermentação 400 pães a cada 2 h 1.600 113%
Forno 100 pães a cada 20 min 2.400 75%

O gargalo é a Fermentação, não o forno. Faltam 200 pães por dia, ou 1 hora a mais de fermentação. Um forno novo não aumentaria a produção em um pão. Com mais uma câmara de fermentação, ela vai a 3.200, e o processo passa a 2.400, agora limitado pelo forno: ganho de 800 pães (+50%) e 600 de folga.

O que fazer com o gargalo: os 5 passos

A teoria das restrições organiza a resposta em cinco passos:

  1. Identificar o gargalo. A etapa de menor capacidade, pela conta, e não a que mais reclama.
  2. Não deixar o gargalo parar. Almoço revezado, material pronto antes de ele precisar, conferência feita antes dele, para não gastar o tempo do gargalo com peça defeituosa.
  3. Pôr as outras etapas no ritmo do gargalo. Produzir mais que ele só cria estoque parado no meio do caminho. Uma pequena reserva na frente do gargalo basta.
  4. Aumentar o gargalo. Uma pessoa ou máquina a mais, horas a mais, ou terceirizar parte do trabalho.
  5. Voltar ao começo. Quando o gargalo cresce, outro assume o lugar, como a Passadoria na confecção.

Erros comuns e limites da conta

  • Medir pelo melhor dia. O ritmo é o médio, com as pausas normais. Retrabalho, troca de produto e pico do almoço entram somados ao tempo de cada unidade ou descontados das horas.
  • Esquecer as horas da etapa. O Corte da confecção trabalha 4 horas, não 8. Usar as horas do negócio dobraria a capacidade dele.
  • Contratar onde há mais barulho. A etapa que reclama nem sempre é o gargalo. Na padaria, o forno parecia o limite.
  • Buscar 100% de ocupação em todas as etapas. Fora do gargalo, folga é proteção contra imprevisto, não desperdício.

É uma estimativa com tempos médios: cada unidade passa uma vez por todas as etapas, em sequência. A conta não cronometra o processo e não garante que uma mudança dê o resultado calculado.

Como a ferramenta ajuda

A ferramenta Capacidade e gargalo faz essas contas para o seu processo. Você escolhe o tipo de negócio (padaria, confecção, oficina, salão, restaurante ou outro), que já vem com etapas e tempos de exemplo, e troca pelos seus números, medindo cada etapa do jeito que souber. Ela mostra a capacidade de cada etapa, o gargalo em destaque, a ocupação, a folga ou a falta, a simulação de +1 pessoa ou máquina no gargalo, as horas a mais e quantas pessoas cada etapa precisa, e os 5 passos com os seus números. A análise fica salva na sua conta e sai em PDF.

Se o processo ainda não está claro no papel, o Mapa de processos ajuda a listar as etapas antes de medir. E, antes de contratar para o gargalo, o Custo real do funcionário mostra quanto custa a pessoa a mais.

Perguntas frequentes

Como calcular a capacidade produtiva de uma empresa?

Calcule a capacidade de cada etapa do processo: ritmo de uma pessoa ou máquina por hora, vezes quantas pessoas ou máquinas trabalham nela, vezes as horas de trabalho por dia. A capacidade da empresa naquele processo é a da etapa de menor capacidade, o gargalo.

O que é gargalo de produção?

É a etapa de menor capacidade de um processo, a que limita quanto sai no fim do dia. Pela teoria das restrições, de Eliyahu Goldratt, uma hora perdida no gargalo é uma hora perdida no processo inteiro, e melhorar outras etapas não aumenta a produção.

O que é capacidade ociosa?

É o tempo em que uma etapa fica parada por falta de trabalho. Uma etapa com ocupação abaixo de 50% fica parada mais da metade do dia. Essa folga pode ajudar o gargalo, com tarefas simples que tiram trabalho dele.

Contratar mais gente resolve o gargalo?

Resolve quando a pessoa vai para o gargalo e a etapa seguinte aguenta. Na confecção do exemplo, uma costureira a mais leva a produção de 240 para 304 peças, e o gargalo passa para a passadoria. Antes de contratar, vale testar revezar o almoço e preparar o material para o gargalo não parar.

O que é o ritmo da demanda?

É de quanto em quanto tempo uma unidade precisa ficar pronta para atender ao pedido: as horas de trabalho, em minutos, divididas pela demanda do dia. Com 8 horas e 300 peças, é 1 peça a cada 1 min 36 s. No pensamento enxuto, esse ritmo se chama tempo takt.

Fontes

  • Eliyahu M. Goldratt e Jeff Cox, A Meta (The Goal: A Process of Ongoing Improvement), 1984: a teoria das restrições, o gargalo e o princípio de que uma hora perdida no gargalo é perdida no sistema inteiro.
  • Wallace J. Hopp e Mark L. Spearman, Factory Physics, 1996: a utilização como demanda ÷ capacidade e a Lei da Utilização, em que a espera cresce de forma desproporcional com a ocupação alta.
  • Lean Institute Brasil, Vocabulário: o tempo takt, o ritmo ditado pela demanda do cliente.
  • Embrapa Acre, Fabricação de pão francês, Instruções Técnicas 40, 2001: as etapas do pão francês, a fermentação e o forno.

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